Conduzido pela psicóloga Eloisa Fuchs, percurso reúne quatro encontros na Casa Lágrima para abordar vínculos, referências masculinas e padrões familiares.
Há relações que continuam presentes mesmo quando raramente são nomeadas. A maneira como alguém vivenciou a proximidade, a ausência, o afeto, a rigidez ou a instabilidade do pai pode permanecer registrada em sentimentos, crenças e formas de se relacionar ao longo da vida adulta.
É a partir dessa reflexão que a psicóloga Eloisa Fuchs, diretora da Casa Lágrima, inicia nesta terça-feira, 11 de agosto, o grupo vivencial “O Pai e o Masculino”. A programação será desenvolvida em quatro encontros presenciais, realizados até 1º de setembro, sempre das 19h às 22h, na Aldeota, em Fortaleza.
A proposta cria um espaço de autoconhecimento voltado à influência da figura paterna e das referências masculinas na forma como cada pessoa ocupa o próprio lugar no mundo. O percurso também pretende observar como essas experiências podem repercutir nas relações afetivas, na vida profissional, na autonomia, na organização e na capacidade de concretizar projetos.
O masculino como referência simbólica
Na abordagem apresentada pela vivência, a figura paterna aparece simbolicamente relacionada ao contato com o mundo para além do primeiro vínculo familiar. Esse movimento pode envolver aprendizados associados a características como coragem, força, autonomia, estabilidade, organização e realização.
O trabalho não se restringe à relação com o pai biológico. As referências masculinas presentes na trajetória de cada participante também entram no campo de reflexão. Homens que exerceram influência, ofereceram proteção, provocaram conflitos ou deixaram ausências podem ocupar lugares importantes na construção emocional de uma pessoa.
Por isso, o grupo propõe investigar diferentes experiências, incluindo afeto, proximidade, distância, agressividade, estabilidade e escassez. A intenção é reconhecer de que maneira essas vivências foram interpretadas e quais marcas ainda permanecem ativas na fase adulta.
“Olhar para a figura do pai é também compreender como aprendemos a ocupar nosso lugar no mundo”, afirma Eloisa Fuchs.
Segundo a psicóloga, esse olhar pode revelar experiências que precisam ser acolhidas e ressignificadas, assim como forças recebidas dessa relação que ainda não foram reconhecidas ou integradas. A proposta não busca construir uma imagem idealizada do pai, mas permitir que os participantes observem a própria história com maior consciência.
Sentimentos e padrões familiares entram em análise
Ao longo dos encontros, os participantes serão convidados a identificar sentimentos reprimidos, memórias, crenças e lealdades familiares que possam influenciar decisões atuais. O objetivo é perceber padrões repetidos, compreender suas possíveis origens e avaliar aquilo que já não contribui para a vida presente.
Esse processo pode alcançar áreas diferentes da experiência adulta. A relação com autoridade, dinheiro, trabalho, reconhecimento, limites, parceiros afetivos e escolhas pessoais está entre os aspectos que podem aparecer durante as atividades.
A vivência também propõe uma integração entre as características percebidas como positivas e os aspectos difíceis da figura paterna. Em vez de separar a história entre uma imagem totalmente boa ou ruim, o percurso busca reconhecer contradições, limites, recursos e aprendizados.
A reflexão ganha relevância especialmente quando determinados comportamentos são repetidos sem que sua origem seja percebida. Ao identificar essas conexões, o participante pode observar a própria trajetória com maior clareza e construir novas maneiras de responder às situações cotidianas.
Quatro encontros com temas diferentes
A programação foi organizada como uma sequência. O primeiro encontro, realizado em 11 de agosto, terá como tema “As raízes do masculino: genograma e linha ancestral”. A atividade propõe um olhar para a história familiar e para as referências masculinas presentes ao longo das gerações.
Em 18 de agosto, o grupo abordará “O encontro com o pai e as feridas da infância: integrando sentimentos reprimidos”. A etapa será direcionada às emoções relacionadas às experiências vividas na infância e às formas como elas ainda podem se manifestar no presente.
O terceiro encontro ocorrerá em 25 de agosto, com o tema “Pai: integrando luz e sombra”. A proposta será reconhecer tanto os recursos quanto as dificuldades associados à figura paterna, sem negar as diferentes camadas dessa relação.
A programação será concluída em 1º de setembro com “Os homens da sua vida: olhando nos olhos daqueles que marcaram sua jornada”. O encontro ampliará a reflexão para outras referências masculinas que participaram da história de cada pessoa.
Exercícios presenciais e atividades em áudio
Os encontros combinarão fundamentação teórica, exercícios vivenciais, rituais, meditações e momentos de partilha. As práticas serão utilizadas para aproximar os temas da experiência individual dos participantes, evitando que a discussão permaneça apenas no campo conceitual.
Depois de cada encontro presencial, os participantes receberão um exercício sistêmico em áudio. A atividade complementar poderá ser realizada durante a semana, dando continuidade ao tema trabalhado e preparando o percurso para o encontro seguinte.
A estrutura em quatro etapas permite que o processo seja desenvolvido gradualmente. Cada encontro aprofunda uma dimensão da relação com o pai e com o masculino, enquanto os exercícios complementares estimulam a observação entre uma atividade e outra.




