Evento internacional será realizado em Salvador, em dezembro, e chega ao país em meio à nova legislação que amplia o teor mínimo de cacau nos chocolates

O Salon du Chocolat Brasil chega a Salvador entre os dias 10 e 13 de dezembro de 2026 colocando o país no centro das discussões internacionais sobre cacau, chocolate, sustentabilidade, gastronomia e novos mercados. A edição será realizada no Centro de Convenções Salvador e marca a primeira vez que um país da América Latina recebe o evento em seu formato completo.
Considerado um dos maiores encontros mundiais dedicados ao cacau e ao chocolate, o Salon desembarca na Bahia após consolidar sua presença em cidades como Paris, Tóquio, Nova York, Dubai e Xangai. A escolha do estado reforça a importância da produção cacaueira baiana e ocorre em um momento de transformação do setor brasileiro, tanto na busca pela ampliação das exportações e valorização do cacau de origem quanto no avanço da regulamentação dos produtos vendidos como chocolate.

O Brasil ocupa a sexta posição entre os maiores produtores mundiais de cacau. No mercado interno, Pará e Bahia concentram grande parte da produção nacional. A Bahia, além da atividade agrícola, desenvolveu nas últimas décadas uma cadeia que inclui beneficiamento, fabricação de chocolates finos, turismo rural e experiências relacionadas à origem do produto.
Com a realização do Salon du Chocolat Brasil, produtores de cacau fino, amazônico e cultivado pelo sistema cabruca terão contato direto com compradores, chocolatiers, fabricantes, chefs, investidores e especialistas de diferentes países.
A expectativa dos organizadores é ampliar a possibilidade de comercialização de produtos de maior valor agregado, permitindo que produtores avancem além da venda do cacau como commodity e explorem atributos como território, variedade, sustentabilidade, história e qualidade das amêndoas.
Nova lei muda regras para chocolate no Brasil

O evento acontece poucos meses depois da sanção da Lei nº 15.404/2026, que estabeleceu novas definições e características para produtos derivados do cacau comercializados no Brasil.
Pela legislação, para ser denominado chocolate, um produto deverá apresentar pelo menos 35% de sólidos totais de cacau. Desse total, ao menos 18% deverão corresponder à manteiga de cacau e 14% a sólidos de cacau isentos de gordura. Também fica limitado a 5% o uso de outras gorduras vegetais autorizadas.
No caso do chocolate ao leite, a concentração mínima será de 25% de sólidos totais de cacau, além de 14% de sólidos totais de leite ou derivados. O chocolate branco deverá conter pelo menos 20% de manteiga de cacau e 14% de sólidos totais de leite.
Outra mudança será a obrigatoriedade de informar o percentual de cacau no painel principal da embalagem. A indicação deverá aparecer de forma destacada ao consumidor.
Publicada oficialmente em maio de 2026, a legislação entra em vigor em 6 de maio de 2027.
Para Marco Lessa, CEO da MVU Empreendimentos, responsável pela edição brasileira do Salon du Chocolat, a nova regulamentação representa uma conquista para a cadeia produtiva.
“Até 2009 nenhuma embalagem de chocolate no Brasil tinha o nome, percentual ou desenho do cacau, deixando a matéria-prima como coadjuvante. Hoje, graças ao movimento Pró-Cacau e ao engajamento de produtores e instituições, conseguimos ajudar a mudar profundamente esse cenário”, afirma.
As novas regras também podem contribuir para fortalecer o segmento bean-to-bar, expressão utilizada para chocolates nos quais há maior controle sobre o processo realizado da amêndoa à barra.
Evento abre espaço para negócios internacionais
Além da experiência gastronômica, o Salon du Chocolat Brasil terá forte atuação empresarial. Rodadas de negócios, encontros entre compradores e produtores, debates técnicos e atividades de networking devem aproximar a produção nacional de mercados internacionais.
A programação reunirá produtores, empresas bean-to-bar e tree-to-bar, indústrias, autoridades, delegações, fabricantes, especialistas e profissionais dos segmentos de gastronomia e confeitaria.
Participantes de diferentes regiões brasileiras são esperados, além de representantes de países das Américas, África, Ásia e Europa.
Segundo a organização, o investimento para realizar a edição brasileira supera € 1,5 milhão, valor próximo de R$ 10 milhões. A projeção é que os negócios gerados durante o evento e as negociações posteriores movimentem cifras superiores ao investimento inicial.
A presença de compradores internacionais é considerada estratégica principalmente para pequenos e médios produtores interessados em alcançar novos mercados.
Gastronomia, cultura e moda fazem parte da programação
O formato internacional do Salon será mantido em Salvador, mas com destaque para a cultura brasileira e para diferentes origens do cacau produzido no país.
Uma das primeiras atrações internacionais confirmadas é o chef francês Guillaume Gomez, Embaixador da Gastronomia Francesa. Gomez comandou a cozinha do Palácio do Eliseu e preparou refeições para diferentes presidentes franceses.
Durante a edição brasileira, ele participará de atividades institucionais e gastronômicas. A programação inclui ainda uma Cozinha Show, com chefs e chocolatiers brasileiros e estrangeiros.
Outro destaque será o tradicional Desfile de Moda em Chocolate, uma das atrações mais conhecidas das edições internacionais. Peças que unem alta-costura, arte e chocolate serão apresentadas ao público em criações desenvolvidas por artesãos, artistas e chocolatiers.
As esculturas de chocolate também terão espaço na programação. A proposta é produzir obras inspiradas em elementos brasileiros, incluindo fauna, biomas e manifestações da cultura popular.
Entre os nomes previstos está o chocolatier Léo Vilela, que já apresentou trabalhos em edições internacionais do Salon du Chocolat em Paris.
Feira reunirá produtos e experiências com cacau
Uma das principais áreas do Centro de Convenções Salvador será ocupada por uma feira de produtos derivados do cacau.
Além de chocolates, o espaço deverá apresentar ingredientes, produtos artesanais e soluções desenvolvidas por diferentes etapas da cadeia produtiva.
Degustações, workshops, palestras e painéis serão realizados ao longo dos quatro dias.
O objetivo é transformar Salvador em uma vitrine da produção brasileira, com discussões sobre sustentabilidade, qualidade das amêndoas, rastreabilidade, inovação, investimentos e tendências internacionais de consumo.
O encontro também deverá estimular o desenvolvimento do mercado brasileiro de chocolates com maior concentração de cacau, origem identificada e processos artesanais ou de pequena escala.
Bahia ganha vitrine para o cacau de origem
A escolha da Bahia para sediar o Salon du Chocolat está diretamente relacionada à história do cacau no estado.
Atualmente, a Bahia é o segundo maior produtor brasileiro e mantém uma cadeia consolidada no processamento da matéria-prima e na produção de derivados.
Nos últimos anos, diferentes marcas baianas passaram a investir no conceito bean-to-bar, controlando etapas que vão da seleção das amêndoas ao desenvolvimento das barras.
O crescimento dos chocolates de origem também ajudou a ampliar a projeção de regiões produtoras do Sul da Bahia e de sistemas de cultivo associados à preservação ambiental.
Entre eles está a cabruca, modelo no qual o cacau é cultivado sob a sombra de árvores da Mata Atlântica.
A sustentabilidade tornou-se um diferencial importante em um mercado internacional cada vez mais atento à origem dos alimentos, às condições de produção e à preservação ambiental.
Visitas levarão participantes ao Sul da Bahia
A experiência do Salon du Chocolat não deverá terminar no encerramento da feira.
A organização prevê visitas técnicas posteriores ao Sul da Bahia, permitindo que participantes internacionais acompanhem de perto diferentes etapas da cadeia produtiva.
Os roteiros devem passar pela Estrada do Chocolate, propriedades rurais, áreas produtoras, fábricas e pela cidade de Ilhéus, um dos municípios historicamente associados à cacauicultura brasileira.
A proposta é mostrar desde o cultivo e a colheita até os processos de fermentação, secagem, seleção das amêndoas e transformação do cacau em chocolates finos.
Além da geração de negócios, a iniciativa fortalece a conexão entre cacau e turismo, criando oportunidades para fazendas, produtores, empreendimentos gastronômicos, meios de hospedagem e comunidades rurais.
“Uma honra trazer o Salon du Chocolat para o Brasil com uma edição completa, histórica e definitiva, e na Bahia, a terra do cacau. Após 15 anos de parceria com o Brasil e da presença consolidada nas maiores capitais do mundo, o Salon coloca o país no calendário oficial com uma edição própria no destino que é, afinal, a grande origem do cacau”, afirma Marco Lessa.
Trajetória de Marco Lessa acompanha transformação do setor
A chegada do Salon du Chocolat ao Brasil também está ligada à trajetória do empresário baiano Marco Lessa.
Nascido em Guanambi, ele teve contato mais próximo com a cultura do cacau após mudar-se para Ilhéus durante a adolescência.
No início dos anos 1990, período em que a lavoura cacaueira baiana enfrentava os impactos da vassoura-de-bruxa, Lessa passou a desenvolver projetos relacionados à valorização do cacau e do chocolate brasileiro.
Em 2009, criou o Chocolat Festival. A primeira edição, realizada em Ilhéus, começou com 13 estandes. O projeto posteriormente ganhou novas cidades e edições no Brasil e no exterior.
Lessa também está à frente do Origem Week, iniciativa voltada à valorização de produtos de origem, agricultura familiar, gastronomia e turismo.
O empresário participa ainda de missões internacionais voltadas à promoção do cacau e do chocolate brasileiros.
Em 2025, durante o Salon du Chocolat de Paris, o Brasil participou como País de Honra. A delegação brasileira reuniu produtores, fabricantes e representantes institucionais, ampliando a exposição internacional do setor.
Agora, a realização de uma edição completa em Salvador consolida uma nova etapa da internacionalização.
Brasil busca vender origem, qualidade e sustentabilidade
Para o setor, a chegada do Salon representa uma oportunidade de reposicionar o produto brasileiro no mercado mundial.
Mais do que exportar matéria-prima, a estratégia passa pela promoção de chocolates brasileiros, marcas próprias, cacau fino, produtos de origem e sistemas produtivos associados à biodiversidade.
Esse movimento pode beneficiar desde grandes empresas até cooperativas, agricultores familiares, mulheres produtoras, jovens que permanecem no campo e pequenos fabricantes de chocolate.
Também abre espaço para ingredientes brasileiros que podem ser combinados à produção de chocolates, como castanhas, cafés especiais, frutas amazônicas e outros produtos regionais.
“O cacau deixou de ser coadjuvante. O número de produtores de chocolate da mais alta qualidade só cresce e se fortalece no cenário mundial. O Brasil tem produtos incríveis, além do cacau e do chocolate”, destaca Marco Lessa.
Ao reunir negócios, turismo, sustentabilidade, gastronomia, ciência e cultura em Salvador, o Salon du Chocolat Brasil pretende transformar quatro dias de programação em uma plataforma permanente para ampliar a presença do país no mercado internacional de cacau e chocolate.
Serviço
Salon du Chocolat Brasil
Quando: 10 a 13 de dezembro de 2026
Onde: Centro de Convenções Salvador, Salvador, Bahia
Instagram: @salonduchocolatbrasil
Contato: info@salonduchocolat.com.br
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