No especial do Dia do Médico, o radiologista fala sobre a responsabilidade de comunicar diagnósticos, os desafios do acesso à saúde e a vida em família.
O Dia do Médico, celebrado em 18 de outubro, orienta a série “Médicos que fazem história em Fortaleza”, do Feed Fortaleza. Entre os profissionais homenageados está o radiologista Leonardo Alcântara, de 43 anos, cuja trajetória reúne formação no Ceará, aperfeiçoamento internacional e atuação na representação médica.
Ao explicar o que a profissão representa hoje, ele parte de uma convicção que acompanha seu trabalho: o cuidado permanece presente na interpretação de um exame e na comunicação de seu resultado.
“Continua sendo cuidado, mesmo quando ele acontece por trás de uma tela”, afirma.
Formado em medicina pela Universidade Federal do Ceará (UFC) em 2007, Leonardo se aproxima de duas décadas de profissão. Nesse percurso, a evolução tecnológica exige aprendizado constante, enquanto o contato com diagnósticos de doenças graves mantém em evidência a responsabilidade com as pessoas atendidas.
Diagnóstico como escolha
A formação em Radiologia e Diagnóstico por Imagem veio pela residência no Hospital Geral de Fortaleza (HGF), em 2012. O percurso inclui ainda um fellowship em Imagem Mamária na Universidade Stanford.
A escolha pela especialidade nasceu da identificação com o cuidado voltado ao diagnóstico e com uma área apoiada em tecnologias que se renovam continuamente. É nesse ambiente de transformação que Leonardo encontra um dos estímulos para seguir estudando.
“Escolhi a Radiologia por ser uma especialidade centrada no cuidado voltado ao diagnóstico, apoiada em tecnologias em constante evolução. Isso me desafia a aprender todos os dias.”
A atualização, em seu relato, integra o exercício da profissão. A formação iniciada na UFC e aprofundada na residência e no aperfeiçoamento internacional continua no aprendizado cotidiano exigido pela especialidade.
A responsabilidade do laudo
Entre os aspectos que mais o mobilizam no trabalho está a comunicação de diagnósticos de doenças graves. Ao falar desse momento, Leonardo associa a responsabilidade técnica à maneira como a informação chega a quem precisa recebê-la.
“Cada laudo carrega uma história, e saber transmiti-lo com responsabilidade e empatia é parte essencial do nosso trabalho.”
A declaração apresenta uma dimensão humana da radiologia a partir da experiência do próprio médico. O resultado de um exame diz respeito a alguém que tem uma história, relações e expectativas. É essa pessoa que Leonardo mantém como referência ao descrever a responsabilidade de comunicar.
Na entrevista, ele situa a empatia dentro do trabalho médico. Interpretar e transmitir uma informação fazem parte do cuidado que reconhece na especialidade, inclusive quando a atividade acontece diante de uma tela.
Memórias da pandemia
Quando a pergunta é sobre um período que o marcou profundamente, Leonardo retorna à pandemia. A lembrança está ligada à assistência prestada na linha de frente e ao cenário de incerteza vivido naquele momento.
“Estar na linha de frente, prestando assistência num cenário de tanta incerteza, mostrou a força e o compromisso da nossa categoria.”
Ao recordar a experiência, ele destaca a dimensão coletiva do trabalho. A memória pessoal aparece associada ao reconhecimento do esforço dos médicos e à responsabilidade assumida no atendimento.
A pandemia permanece, assim, entre os acontecimentos que escolhe mencionar ao revisitar sua trajetória. No cotidiano atual, são os diagnósticos graves e a necessidade de comunicá-los com empatia que continuam a tocá-lo de maneira particular.
O desafio do acesso
Na avaliação de Leonardo, o Ceará se tornou referência regional em formação médica e tecnologia. Ele destaca a disponibilidade de métodos de imagem que, anteriormente, estavam restritos aos grandes centros.
Sua leitura dos avanços vem acompanhada de uma prioridade: ampliar o alcance dessa qualidade. O interior e o Sistema Único de Saúde (SUS) ocupam lugar central na discussão que propõe.
“O desafio agora é levar essa qualidade ao interior e ao SUS de forma equânime, com a devida valorização do médico.”
A resposta relaciona três pontos de sua visão sobre a saúde: recursos tecnológicos, acesso da população e condições de exercício profissional. Ao abordar a evolução da medicina cearense, Leonardo inclui a distribuição dos avanços e o reconhecimento de quem trabalha na assistência.
É nessa perspectiva que apresenta o próximo desafio: fazer com que a qualidade disponível possa chegar de maneira mais equitativa às pessoas.
Ética e representação
O significado da medicina também passou a incluir, em sua trajetória, a responsabilidade institucional. Leonardo associa sua atuação no Conselho Federal de Medicina (CFM) e no Sindicato dos Médicos do Ceará (SIMEC) à defesa de condições dignas de trabalho e da ética médica.
As novas tecnologias entram nessa agenda, especialmente a inteligência artificial. Ao mencioná-la, ele coloca a discussão no campo da responsabilidade profissional.
“No CFM e no SIMEC, defendo condições dignas de trabalho e a ética médica diante de novidades como a inteligência artificial.”
A tecnologia aparece, portanto, em dois espaços de sua experiência: como parte da especialidade que o desafia a aprender e como tema que exige atenção nos ambientes de representação. Sua posição reúne o interesse pela evolução dos recursos e o compromisso declarado com o exercício ético da medicina.
A vida por trás do jaleco
Fora da atuação profissional, Leonardo se apresenta a partir da família e do esporte. É casado com Roberta e pai de Bernardo, de 11 anos, e Alice, de 9.
Nos momentos livres, pratica atividades físicas, corre meias maratonas e aproveita o lazer e as viagens com a família. Essas escolhas compõem a vida pessoal que divide espaço com uma agenda cheia de compromissos.
Ao responder quem existe por trás do jaleco, o médico reserva lugar para essas relações e interesses. A apresentação do radiologista e representante da categoria inclui também o marido, o pai e o corredor.
Na homenagem pelo Dia do Médico, sua trajetória encontra expressão em uma ideia que ele próprio oferece: cada laudo carrega uma história. É a partir dessa responsabilidade que fala do diagnóstico, da comunicação com as pessoas e dos desafios que reconhece para a medicina.
Acompanhe a série “Médicos que fazem história em Fortaleza” e as trajetórias dos profissionais homenageados pelo Feed Fortaleza.
Leonardo Alcântara
Radiologia e Diagnóstico por Imagem
CRM-CE 10914 | RQE 7848
Oferecimento: Sindicato dos Médicos do Ceará.




