Solo protagonizado pela palhaça Alecruda aborda produtividade, sobrevivência e os limites entre trabalho e vida em apresentação gratuita nesta sexta-feira (28), em Fortaleza

O espetáculo “Trabalha-se” leva à Vila das Artes, em Fortaleza, uma reflexão sobre emprego, produtividade, sobrevivência e o espaço que o trabalho ocupa na vida contemporânea. A abertura de processo acontece nesta sexta-feira (28), às 19h, com entrada gratuita, classificação livre e acessibilidade em Libras.
Criado e encenado pela artista Patrícia Teixeira, intérprete da palhaça Alecruda, o trabalho utiliza recursos da palhaçaria para transformar situações presentes na rotina de milhões de trabalhadores em humor, poesia e crítica social. Boletos, demissões, contratações, instabilidade financeira e a pressão para produzir cada vez mais aparecem como elementos de uma narrativa que questiona o valor atribuído ao trabalho e à própria existência.
Em cena, Alecruda recorre a cambalhotas, mágicas, malabarismos e interações com o público para construir situações que transitam entre o cômico e o incômodo. A personagem enfrenta uma realidade na qual o esforço parece nunca ser suficiente para fazer as contas fecharem e na qual a produtividade se transforma em medida constante de desempenho.
A atividade integra a programação da Escola Pública de Circo da Vila das Artes e será acompanhada por uma roda de conversa com o público.
Palhaçaria discute trabalho e produtividade

A montagem parte de uma pergunta que atravessa diferentes relações profissionais: o que realmente tem valor em uma sociedade marcada pela cobrança por produtividade?
A partir dessa provocação, “Trabalha-se” aborda temas como cansaço, instabilidade financeira, saúde mental, tempo livre e o direito de construir uma vida que não seja definida exclusivamente pela capacidade de produzir.
“O riso é uma forma de expurgar e refletir sobre certos sentimentos, conseguindo olhar de outro ponto de vista. Acredito que a palhaçaria seja uma ferramenta de transformação”, afirma Patrícia Teixeira.
A discussão proposta pelo espetáculo também encontra espaço em um momento no qual as jornadas de trabalho ganharam destaque no debate nacional, especialmente diante das discussões sobre mudanças na chamada escala 6×1 e sobre a ampliação dos períodos destinados ao descanso e à convivência.
Mais do que apresentar respostas, a montagem utiliza a comicidade para provocar o público sobre quanto tempo da vida é dedicado ao trabalho e quais consequências essa relação pode produzir.
Fazer arte também é trabalho

Outro eixo de “Trabalha-se” está na própria realidade dos profissionais da cultura. O espetáculo chama atenção para uma dimensão nem sempre percebida pelo público: fazer arte também é trabalho.
Antes de uma apresentação chegar ao palco, existe uma cadeia formada por pesquisa, criação, ensaios, planejamento, preparação técnica e emocional, produção e diferentes atividades realizadas longe dos olhos da plateia.
O processo criativo de “Trabalha-se”, por exemplo, levou mais de seis meses. A trajetória profissional de Patrícia Teixeira também aparece como parte importante da construção da obra.
“Eu quis colocar em cena uma parte da minha própria história enquanto artista de rua, educadora, mulher e trabalhadora brasileira. Fui entendendo que falar sobre trabalho também era falar sobre a minha trajetória e sobre aquelas que me atravessaram. A palhaçaria permite olhar para tudo isso com humor e vulnerabilidade, mas também com crítica. Porque trabalhar é uma condição de sobrevivência, mas a nossa vida não pode ser reduzida àquilo que conseguimos produzir”, destaca a artista.
Projeto reúne equipe exclusivamente feminina

“Trabalha-se” é resultado do projeto “Criação e Abertura de Processo do Espetáculo da Palhaça Alecruda”, contemplado pelo X Edital das Artes de Fortaleza.
A produção também chama atenção pela formação de uma equipe exclusivamente feminina, reunindo mulheres em diferentes etapas da construção artística, da dramaturgia à criação da trilha sonora, desenvolvida especialmente para o espetáculo.
A apresentação desta sexta-feira será realizada na sede da Vila das Artes, equipamento cultural localizado na Rua 24 de Maio, no Centro de Fortaleza.
Serviço
“Trabalha-se”: abertura de processo e roda de conversa
Data: sexta-feira, 28 de agosto de 2026
Horário: 19h
Local: Vila das Artes
Endereço: Rua 24 de Maio, 1221, Centro, Fortaleza
Entrada: gratuita, sujeita à lotação do espaço
Acessibilidade: Libras
Classificação: livre
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