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Agosto Lilás: violência psicológica contra mulheres cresce 16,9% no Brasil e acende alerta para sinais sutis

A violência psicológica contra mulheres cresceu 16,9% no Brasil em 2025, com 60.830 registros. Especialista explica como identificar controle, manipulação, humilhações e outros sinais de uma relação abusiva.
@feedfortal 25 de agosto de 2026 6 minutes read
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Brasil registrou 60.830 casos em 2025; controle excessivo, humilhações, isolamento, chantagens e manipulação podem indicar uma relação abusiva

A violência psicológica contra mulheres avançou no Brasil e reforça o alerta para comportamentos abusivos que nem sempre são identificados no início de um relacionamento. Em 2025, o país registrou 60.830 casos desse tipo de violência, crescimento de 16,9% na comparação com o ano anterior. A taxa chegou a 55,6 registros para cada 100 mil mulheres.

Agosto Lilás: violência psicológica contra mulheres cresce 16,9% no Brasil e acende alerta para sinais sutis

Os números ganham destaque durante o Agosto Lilás, período dedicado à conscientização e ao enfrentamento da violência contra as mulheres. Diferentemente das agressões físicas, a violência psicológica pode não deixar marcas visíveis e, muitas vezes, começa de maneira gradual, por meio de atitudes apresentadas como cuidado, ciúme ou preocupação.

A psicóloga da Hapvida Patrícia Damasceno explica que a violência em um relacionamento não se restringe às agressões físicas.

“Conforme amparado pela legislação, como, por exemplo, a Lei Maria da Penha no Brasil, e pela prática clínica psicológica, a violência manifesta-se de diversas maneiras, seja psicológica, moral, patrimonial e sexual, podendo ocorrer no casamento ou em relacionamentos estáveis”, afirma.

Controle e humilhação podem ser sinais de violência psicológica

A violência psicológica ocorre quando determinadas condutas provocam danos emocionais, diminuem a autoestima ou tentam controlar ações, comportamentos, crenças e decisões da mulher.

Entre os sinais estão humilhações frequentes, ameaças, chantagens emocionais, isolamento de amigos e familiares, ciúme excessivo e tentativas de controlar roupas, celular, horários, amizades e locais frequentados.

Outro comportamento associado à violência psicológica é o chamado gaslighting, estratégia de manipulação na qual o agressor distorce fatos ou nega acontecimentos para fazer a vítima questionar a própria memória, percepção ou capacidade de julgamento.

“Por ser sutil e gradativa, muitas vezes a violência psicológica é difícil de ser identificada de imediato”, explica Patrícia.

Frases como “você está louca”, “eu nunca disse isso” ou “você me faz agir dessa maneira”, segundo a especialista, podem ser utilizadas para manipular a vítima e fazê-la duvidar da própria percepção da realidade.

O controle também pode ser disfarçado de demonstração de zelo ou amor. Com o passar do tempo, porém, comportamentos que inicialmente pareciam preocupação podem restringir cada vez mais a autonomia da mulher.

Por que pode ser difícil reconhecer uma relação abusiva

Patrícia explica que algumas mulheres podem não perceber imediatamente determinadas atitudes como violência, principalmente porque os comportamentos abusivos costumam ser introduzidos gradualmente na rotina do casal.

A dependência emocional, a naturalização do ciúme e padrões sociais que associam relacionamentos a sacrifícios também podem dificultar a identificação do problema.

Outro fator é a alternância entre momentos de afeto e episódios de violência. Essa dinâmica pode alimentar a expectativa de que o relacionamento volte aos períodos considerados positivos.

“A permanência na relação também pode estar relacionada à alternância entre momentos de afeto e episódios de violência. Essa dinâmica fortalece a dependência emocional e alimenta a esperança de que o relacionamento volte a ser como nos períodos positivos”, afirma.

A repetição de ofensas e desvalorizações também pode comprometer progressivamente a autoestima. Dependência financeira, preocupação com os filhos e medo da reação do agressor estão entre outros fatores que podem dificultar o rompimento do relacionamento.

Impactos podem permanecer depois do fim da relação

Encerrar uma relação abusiva não significa que os impactos emocionais desapareçam imediatamente. Segundo Patrícia, algumas mulheres podem apresentar ansiedade, insônia, hipervigilância, ataques de pânico e lembranças invasivas relacionadas às situações vivenciadas.

Também podem surgir culpa, saudade dos períodos positivos do relacionamento e sensação de perda.

A psicóloga destaca que a reconstrução da autoestima e da autonomia acontece gradualmente. Nesse processo, o acompanhamento psicológico pode contribuir para a compreensão dos impactos da violência e para a desconstrução de crenças negativas desenvolvidas durante a relação.

Retomar pequenas decisões do cotidiano também pode ser importante. Escolher a própria roupa, voltar a praticar um hobby, definir onde deseja ir ou estabelecer novos projetos são atitudes que ajudam no resgate da autonomia.

A independência financeira também pode fortalecer esse processo. Capacitação profissional, entrada ou retorno ao mercado de trabalho podem contribuir para ampliar a sensação de liberdade e capacidade de decisão.

Rede de apoio deve acolher sem julgamentos

Familiares e amigos também têm papel importante na rede de apoio. Patrícia orienta que a mulher não seja culpabilizada ou questionada por ter permanecido no relacionamento.

Perguntas como “por que você não foi embora antes?” ou “por que você aguenta isso?” podem aumentar sentimentos de culpa e dificultar o processo de busca por ajuda.

A especialista também alerta para o risco de confrontar diretamente o agressor ou expor a situação sem avaliar a segurança da vítima, pois determinadas ações podem aumentar o risco de novos episódios de violência.

“Para as mulheres que reconhecem sinais de violência, mas ainda não se sentem preparadas para deixar o relacionamento, reconhecer que algo está errado já representa um importante passo. A mulher não precisa ter todas as respostas ou tomar uma decisão definitiva imediatamente”, afirma Patrícia.

Buscar apoio de pessoas de confiança e acompanhamento profissional pode ajudar na construção de uma estratégia mais segura para romper o ciclo de violência.

Como buscar ajuda

Mulheres que enfrentam situações de violência podem procurar a Central de Atendimento à Mulher pelo Ligue 180. O serviço é gratuito, funciona 24 horas por dia e oferece orientação sobre direitos e serviços especializados, além de receber e encaminhar denúncias.

Em situações de emergência ou quando houver risco imediato, a orientação oficial é acionar a Polícia Militar pelo telefone 190.

Serviço

Central de Atendimento à Mulher
Ligue 180
Atendimento gratuito, 24 horas por dia, todos os dias da semana

Emergências
Polícia Militar: 190

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