Procedimento pode ser indicado para perda de volume e alterações no contorno da região íntima, mas exige avaliação individualizada e acompanhamento médico especializado.
A lipoenxertia íntima vem ganhando espaço entre os procedimentos voltados à região íntima feminina. A técnica utiliza gordura retirada do próprio corpo da paciente para recuperar volume e melhorar o contorno dos grandes lábios, com indicação definida de acordo com a anatomia, as queixas e as expectativas de cada mulher.
O crescimento das cirurgias íntimas ocorre em um cenário no qual o Brasil se destaca mundialmente. Dados referentes a 2024 mostram que o país registrou cerca de 29,2 mil labioplastias, o maior número entre os países com resultados individualizados no levantamento internacional. No mundo, foram estimados mais de 210 mil procedimentos desse tipo no mesmo período.
Apesar desse cenário, a lipoenxertia dos grandes lábios é diferente da labioplastia convencional. Enquanto determinadas cirurgias íntimas envolvem redução ou remodelação de tecidos, a lipoenxertia tem como principal objetivo adicionar volume por meio da transferência de gordura autóloga, ou seja, proveniente da própria paciente.
Segundo a ginecologista e obstetra Fernanda Rios, que atua em Ginecologia Regenerativa e Estética Íntima, o procedimento pode ser considerado principalmente quando há perda de volume, flacidez ou mudanças no contorno dos grandes lábios.
“A lipoenxertia íntima consiste na retirada de gordura de uma área do corpo da própria paciente, que passa por um processo de preparo e, posteriormente, é aplicada nos grandes lábios. É uma técnica que pode proporcionar recuperação de volume e melhora do contorno da região, sempre considerando a anatomia e a necessidade individual de cada mulher”, explica.
Quando a lipoenxertia íntima pode ser indicada
Alterações na aparência e no volume dos grandes lábios podem ocorrer ao longo da vida por diferentes fatores, entre eles envelhecimento, variações significativas de peso, mudanças hormonais e transformações naturais do organismo.
A lipoenxertia íntima pode ser avaliada em pacientes que apresentam perda de volume ou desejam melhorar o contorno da região. A técnica de enxertia de gordura já aparece na literatura médica como uma das alternativas utilizadas para aumento e restauração volumétrica dos grandes lábios, embora os estudos ressaltem que ainda não existe uma abordagem única ou padronizada para todos os casos.
Fernanda destaca que diferenças anatômicas são naturais e que a decisão de realizar qualquer intervenção não deve ser baseada na busca por um modelo considerado ideal.
“Não existe um padrão único de normalidade para a anatomia íntima feminina. A indicação deve partir de uma avaliação individualizada, levando em consideração a queixa da paciente, suas expectativas e as características anatômicas da região. A cirurgia não deve ser realizada simplesmente para atender a um padrão estético”, afirma.
Além da reposição de volume, o procedimento pode buscar melhora do contorno e da simetria dos grandes lábios. Uma das características da técnica é justamente a utilização de tecido autólogo, sem a necessidade de um material sintético para realizar a volumização.
Resultado da lipoenxertia íntima não é imediato
Uma das questões discutidas antes do procedimento é a quantidade de gordura que permanecerá na região após a recuperação. Parte do volume transferido pode ser naturalmente reabsorvida pelo organismo nos primeiros meses, enquanto outra parcela tende a se integrar aos tecidos.
Essa possibilidade de reabsorção também é descrita em estudos sobre enxertia de gordura nos grandes lábios e significa que o volume observado imediatamente após a cirurgia não deve ser considerado o resultado definitivo.
“É importante explicar para a paciente que o resultado não é imediatamente definitivo. Existe um período de adaptação e uma parte da gordura pode ser absorvida pelo organismo. A gordura que permanece e se integra ao tecido tende a apresentar uma durabilidade prolongada, mas o resultado também acompanha as mudanças do corpo ao longo do tempo”, explica Fernanda.
Oscilações relevantes de peso também podem interferir no aspecto da região, uma vez que as células de gordura transferidas continuam fazendo parte do organismo e podem sofrer variações de volume.
Procedimento exige avaliação médica
Apesar de utilizar gordura da própria paciente, a lipoenxertia é um procedimento cirúrgico e não está livre de possíveis complicações. A avaliação pré-operatória, a análise das condições clínicas, a escolha adequada da técnica e o acompanhamento durante a recuperação fazem parte dos cuidados necessários.
“Como qualquer procedimento cirúrgico, a lipoenxertia não é isenta de riscos. Por isso, é indispensável que a paciente seja avaliada por um profissional habilitado e especializado, em ambiente adequado e com uma equipe preparada para realizar o procedimento com segurança”, orienta a médica.
A ampliação das opções disponíveis na área de saúde íntima feminina também reforça a importância de diferenciar desconfortos funcionais de insatisfações exclusivamente estéticas. A decisão deve considerar benefícios, limitações, riscos, possibilidade de reabsorção da gordura e expectativas realistas em relação ao resultado.
Quem é Fernanda Rios
Fernanda Rios Bastos Luna é médica ginecologista e obstetra, com residência médica em Ginecologia e Obstetrícia pela Escola de Saúde Pública do Ceará. A profissional possui CRM-CE 14327 e RQE 9591 e atua em Fortaleza.
Desde 2016, direciona parte de sua atuação à Ginecologia Regenerativa e Estética Íntima, com trabalhos relacionados à saúde íntima feminina, menopausa, tecnologias ginecológicas e procedimentos como ninfoplastia.
Serviço
Lipoenxertia íntima e saúde íntima feminina
Profissional: Dra. Fernanda Rios Bastos Luna
Especialidade: Ginecologia e Obstetrícia
CRM-CE: 14327
RQE: 9591
Instagram: @drafernandarios
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